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Tribunais de Contas alertam sobre alguns riscos da reforma tributária

15 de janeiro de 2026

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Os Tribunais de Contas do Brasil estão alertando sobre possíveis riscos da reforma tributária, como por exemplo: o risco de alguns setores terem a carga tributária aumentada, a possível queda de arrecadação de alguns estados e municípios (embora em outros ocorrerá aumento), a complexidade do processo de transição, além da disseminação de notícias falsas (como as que circularam ao final de dezembro de 2025 e que podem descredibilizar o sistema tributário).

A partir da sanção da Lei Complementar 227/2026, ocorrida nesta terça-feira (13), os Tribunais de Contas acompanharão de maneira mais próxima a implementação da reforma tributária. Pelo texto da nova lei, os Tribunais de Contas Estaduais e Municipais têm a competência de fiscalizar o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O novo tributo será compartilhado entre Estados, Distrito Federal e Municípios e basicamente substitui o ICMS (Estadual) e o ISS (Municipal), embora com base mais ampla do que os referidos impostos. 

A atuação dos Tribunais de Contas se dará nos termos do art. 40 da LC 227/2026. Sendo assim, cada Tribunal indicará um conselheiro efetivo e um conselheiro substituto para integrar um colegiado em nível nacional, cujas reuniões serão feitas preferencialmente de modo virtual. Esse colegiado editará uma resolução que disciplinará o seu funcionamento, inclusive sobre a atuação dos auditores de controle externo, sendo queatuará o Ministério Público de Contas do Tribunal cujo conselheiro for escolhido relator de determinado processo de controle externo.

O presidente da Associação Nacional dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon), Edilson Silva, ressaltou o empenho do grupo de trabalho que nos últimos dois anos atuou para acompanhar o processo da reforma tributária, inclusive acompanhando o trâmite do PLP 108, que resultou na Lei Complementar 227/2026 no Congresso Nacional. “Esse é mais um passo para estabelecer a importância dos Tribunais de Contas em nossa sociedade”, afirmou. “A função dos Tribunais é fiscalizar, mas entendo que é importante buscarmos harmonia com o CGIBS, o que pode colaborar para um melhor funcionamento do mesmo”, avaliou. 

Quem está à frente do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária dos Tribunais de Contas desde 2024 é o conselheiro Domingos Augusto Taufner, do TCE-ES. Ele foi escolhido para essa função por já ter atuado, por mais de 20 anos, como auditor fiscal de receita e por ter presidido o TCE-ES em duas oportunidades (2014-2015 e 2024-2025). Para Taufner, a reforma tributária representa uma grande esperança para um futuro que tenha uma tributação mais justa e mais simplificada. “O processo de implementação e de transição é muito complexo e vai demandar muito esforço para vencer os pontos. Mas as entidades de Controle Externo estão prontas para atuar nisso”, garantiu.

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Para Taufner, as grandes etapas da Reforma Tributária foram realizadas. “Primeiro com a promulgação da Emenda Constitucional 132/2023 e depois com a edição da Lei Complementar 214/2025 que instituiu a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo”, listou. “Agora, o quadro se completa com a edição da nova lei que trata de maneira mais detalhada do Comitê Gestor do IBS. Temos muito trabalho pela frente para termos uma tributação mais justa e mais simplificada, que são as promessas da reforma tributária. Caberá a nós fazer esforços para garantir que esses pontos positivos sejam alcançados”, finalizou.