/NA MÍDIA

Atricon participa do III Seminário Internacional de Controle Externo, em Salvador (BA)

21 de agosto de 2025

Atricon participa do III Seminário Internacional de Controle Externo, em Salvador (BA)

54736358548_bbeef6e855_o-scaled-e1755815681847-2048x1154.jpg

O presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Edilson Silva, participou, nesta quinta-feira (21), da solenidade de abertura do III Seminário Internacional de Controle Externo – Olhares e Perspectivas, no auditório do Hotel Deville Prime, Salvador (BA). O evento, que marca os 110 anos do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), reúne especialistas do Brasil e do exterior para debater os desafios e transformações do controle externo em um mundo cada vez mais complexo e digital. O encerramento acontecerá nesta sexta-feira (22) e ficará a cargo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que fará a palestra final.

Na solenidade de abertura, compuseram a mesa diretora, ao lado do presidente do TCE-BA, conselheiro Marcus Presidio, e do presidente da Atricon, Edilson Silva, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler; o presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), Francisco Netto; a juíza conselheira do Tribunal de Contas de Angola, Elisa Rangel; a procuradora-geral do Estado, Bárbara Camardelli; e a procuradora-geral do Ministério Público de Contas junto ao TCE-BA (MPC/BA), Camila Luz. Também estiveram presentes os conselheiros do TCE-BA Gildásio Penedo Filho, Inaldo Araújo, Carolina Matos e João Bonfim.

54735854063_9bd2ac81a9_o-2048x1365.jpg

O seminário, realizado pelo TCE-BA em parceria com o Instituto Rui Barbosa (IRB) e com apoio da Atricon, reuniu representantes de quase todos os estados brasileiros. Estiveram presentes conselheiros e técnicos de Tribunais de Contas estaduais e municipais, além de integrantes de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Controladoria-Geral da União e a Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas.

Em sua fala durante a cerimônia, Edilson Silva falou sobre a nova realidade dos Tribunais de Contas. “O controle externo vive uma transição significativa: deixamos de atuar apenas sob a ótica da legalidade para avançar rumo à efetividade. Hoje, somos chamados não apenas a verificar a conformidade formal, mas também a avaliar o impacto real das políticas públicas na vida dos cidadãos”, afirmou. 

O presidente da Atricon também ressaltou a importância da escuta e da empatia na atuação dos TCs. “O controle precisa compreender o gestor público e os dilemas da administração, buscando construir soluções dialogadas. O controle dialógico e o consensualismo representam um novo paradigma, em que os Tribunais de Contas se colocam como parceiros institucionais, catalisando mudanças estruturantes sem abrir mão de sua função fiscalizadora”, ressaltou.

Encaminhando para a conclusão de sua fala, Edilson Silva citou as auditorias coordenadas, que têm cumprido um papel fundamental a partir da atuação conjunta da Atricon, do IRB, do TCU, da Rede Integrar e das redes temáticas. Estas iniciativas, explicou o presidente da Atricon, mostram como é possível somar esforços para ampliar diagnósticos, fortalecer metodologias e influenciar políticas públicas em áreas essenciais como saúde, educação e primeira infância.

“O futuro do controle externo nos convoca a romper paradigmas, a não nos contentar com o óbvio, mas a construir um sistema de fiscalização que seja instrumento de transformação social”, concluiu.

>> Veja mais fotos do evento

A fala do Tribunal anfitrião

A solenidade de abertura do evento foi iniciada com um discurso do presidente do TCE-BA, conselheiro Marcus Presidio. Em sua exposição, ele fez uma firme defesa do papel dos Tribunais de Contas, ressaltando que apoiar essas instituições “é defender a Constituição, proteger os fundamentos da democracia, afirmar o valor da transparência e da responsabilidade pública”.

Ao abrir a sua fala, o conselheiro-presidente Marcus Presidio salientou que o seminário, na sua terceira edição, se consolida com um espaço privilegiado de diálogo, aprendizado e cooperação. “Reunimos especialistas do Brasil e do exterior para discutir os novos desafios e as transformações do controle externo em um mundo complexo, digital e independente. Sabemos que o controle precisa compreender as políticas públicas em sua integralidade, avaliar seus resultados, dialogar com a sociedade e valorizar a inovação e a inteligência”.

54734804452_097ca4e96b_o-2048x1365.jpg

Ele observou que o evento teve o propósito de ir além das fronteiras tradicionais, “conectando saberes, experiências e ferramentas jurídicas que estão redesenhando os tribunais de controle”, acrescentando que, para cumprir aquele objetivo, a programação apresentou temas sobre o presente e o futuro e olhando o passado “como forma de compreendermos como surgimos, como evoluímos e aonde queremos chegar”.

Em seguida, fez um breve resumo da trajetória da Corte de Contas, destacando diferentes etapas ao longo da instituição. O TCE-BA foi criado em 21 de agosto de 1915 pelo governador J. J. Seabra, como um desdobramento da reforma constitucional baiana daquele ano. Ele classificou como um período sombrio a fase iniciada em 1942, durante o Estado Novo, quando o Tribunal teve suas atividades interrompidas, lembrando que só em 1949 o TCE foi reaberto, pelo governador Otávio Mangabeira.

Com a Constituição de 1967 foi iniciada uma nova etapa, quando o Tribunal deu os primeiros passos nas em relação às auditorias. E também destacou que, já em 1984, foi realizada a primeira seleção pública de pessoal, antes mesmo da Constituição de 1988, que passou a exigir o concurso público. O presidente também lembrou de um momento triste, o incêndio de grandes proporções que consumiu completamente a sede do TCE/BA. “Mas o Tribunal não se abateu. Todos os membros, servidores e colaboradores não mediram esforços para a reconstrução do prédio e para a manutenção das atividades institucionais. A adversidade foi superada em 2001, com a reelaboração do Edifício Conselheiro Joaquim Batista Neves”.

Do século XXI, ele salientou a passagem de diferentes gestores na Corte de Contas, que dedicaram atenção à casa, às atividades técnicas e, em especial, ao corpo de servidores, no sentido de sua valorização profissional, remuneratória e bem-estar. “Nas últimas décadas também foram realizados investimentos contínuos na modernização da estrutura física, ao passo que foram adotadas soluções que garantiram ainda mais eficiência ao nosso trabalho”.

Modernização e Sustentabilidade

Detalhando as ações e os investimentos, Marcus Presidio afirmou que a modernização tecnológica do TCE tem sido um pilar da instituição, visando acompanhar as tendências do novo século. Lembrou a criação de sistemas de gerenciamento, que foram depois substituídos pelos atuais sistemas de processo eletrônico e de gerenciamento de auditoria. Deu como exemplo a criação do Sistema Mirante, um observatório das contas públicas que, relacionando diversas bases de dados, proporcionou uma eficiente ferramenta de controle e planejamento auditorial.

Além de citar a digitalização completa dos processos, a aplicação dos modelos preditivos para convênio, a implantação da inteligência artificial de TiCianE, dentre outras que colocaram o Tribunal na vanguarda digital, o conselheiro também fez questão de salientar a preocupação com a sustentabilidade, que se tornou uma marca forte do TCE, citando como exemplos o engajamento nos programas Recicla CAB e de eficiência energética, e, mais recentemente, a inauguração da usina solar.

No âmbito da educação corporativa, apontou a criação da Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa (2015), e ainda na área educacional e de aproximação com a sociedade, lembrou do projeto Casa Aberta (2016), que recebe estudantes das escolas públicas e privadas com o objetivo de estimular o controle social, e do projeto Educação é da Nossa Conta, e da sua versão “Na Estrada”.

Já no âmbito do controle externo, o TCE-BA adotou o Termo de Ajustamento de Gestão (TAG), “e avançamos na disseminação e aplicação das normas auditoriais, fortalecemos as inspeções in loco, aliadas à ampliação das auditorias operacionais e de avaliação de políticas públicas. Incorporamos o Instituto do Consensualismo, iniciativa pioneira do Tribunal de Contas da União, que marca a consensualidade como uma nova função das Cortes de Contas, voltada à orientação, mediação e a prevenção de conflitos”. Foi desta forma que o Tribunal de Contas do Estado da Bahia atuou como mediador na repactuação da parceria público-privada da Ponte Salvador-Itaparica, e agiu também na negociação que possibilitou a compra dos equipamentos do VLT de Cuiabá (MT).

Defesa do Sistema dos TCs

Depois de lembrar que, recentemente levantaram-se vozes questionando os Tribunais de Contas, o conselheiro-presidente defendeu as instituições de controle, ressaltando a sua importância para o país e para a sociedade: “É necessário lembrar que os tribunais são órgãos autônomos e independentes, que exercem papel fundamental no sistema republicano brasileiro. Atuam como garantidores da boa gestão do erário, asseguram a observância dos princípios constitucionais da administração, prevenindo abusos, corrigindo irregularidades e promovendo a responsabilização de gestores que se desviam da lei. São instituições que exercem controle externo como pilar indispensável à integridade da gestão pública e à proteção do patrimônio coletivo”.

E acrescentou: “Por isso é urgente e inegociável reprimir qualquer tentativa de limitar, fragilizar ou negar as competências dos Tribunais de Contas. Defender os tribunais é defender a Constituição, proteger os fundamentos da democracia, afirmar o valor da transparência e da responsabilidade pública. É acreditar que podemos, sim, construir um país mais justo, mais íntegro e mais transparente”.

Para finalizar o discurso, Marcus Presidio pontuou que celebrar os 110 anos do Tribunal de Contas do Estado da Bahia é reafirmar os valores democráticos e a soberania da Carta de 88, concluindo: “Agradeço, em nome do TCE da Bahia e do Instituto Rui Barbosa, também realizador deste evento, a todos os palestrantes, participantes e organizações parceiras que tornaram este seminário possível. Que os debates aqui travados nos motivem nessa caminhada, nos deem mais firmeza técnica e nos impulsionem na construção de um setor público mais justo e eficiente. Que venham os próximos 110 anos!”, desejou o presidente do TCE-BA.

*Com informações do TCE-BA